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Dor no quadril – causas e tratamento

Dor no quadril – causas e tratamento

Dr Ney Peres, médico ortopedista especialista em quadril, escreve sobre as diferentes causas de dor no quadril e suas formas de tratamento.

Dores no quadril são frequentes causas de incapacidade e perda da qualidade de vida.

O que pode ser a sua dor no quadril?

Existem algumas possibilidades de causas para a dor no quadril. Podemos separar em agudas e crônicas.

DOR AGUDA NO QUADRIL

Dores agudas no quadril podem ser causadas por traumas, batidas, quedas, entorses, estiramento, podendo ser ocasionada até por uma fratura no quadril.

Como posso saber se a minha dor no quadril pode ser de uma fratura?

Para saber se a dor no quadril é gerada por uma fratura primeiramente nos baseamos nos sintomas, ela deve ser de forte intensidade, incapacitante, apareceu depois de algum acidente, batida ou queda, em quem tem ossos fracos (osteoporose). Para o diagnóstico correto é preciso uma avaliação de um especialista que examinará o paciente e com a ajuda de um exame de imagem, radiografia ou tomografia em alguns casos, poderá definir com precisão o local e o grau da fratura.

As dores no quadril podem ser de sequela de trauma recente ou tardio, desgaste, pós-operatório de prótese de quadril ou de fraturas, infecção, doenças metabólicas. Falaremos um pouco sobre cada uma destas possibilidades e os possíveis tratamentos.

Sequela de trauma recente ou tardio.
O trauma recente no quadril pode ser desde uma entorse por movimento brusco ou esforço, até uma fratura da região. As entorses ou contusões leves acarretam em dor e inflamação local. Se esta dor não diminuir em aproximadamente 2 semanas com o repouso, uso de analgésicos e anti-inflamatórios, pode ter acontecido alguma lesão de partes moles mais grave. Estas lesões mais tardias sem melhora da dor, comumente podem ser estiramentos musculares maiores, lesão do lábio acetabular (“labrum”) e sinovite intrarticular (inflamação do líquido sinovial responsável pela lubrificação da articulação). É necessário ter exames de imagem como o raio X do quadril para afastar a possibilidade de fratura e a ressonância magnética (RM), exame que avalia melhor lesões de partes moles (músculos, tendões e cartilagem).
Se for constatado estiramentos musculares maiores com presença de hematoma registrado pela RM, sessões de fisioterapia podem ajudar, utilizando-se alongamento da região e o calor profundo para que o hematoma diminua e seja reabsorvido mais rapidamente, devolvendo a mobilidade do quadril com diminuição gradual da dor. No caso de lesão do lábio acetabular, o paciente deve ser avaliado por especialista em quadril para definir se o tratamento pode ser conservador (fisioterapia, analgésicos, anti inflamatórios) ou cirúrgico artroscópico, dependendo do caráter da lesão.
Caso tenha ocorrido uma fratura que não foi diagnosticada anteriormente, procure um especialista em quadril, pois as fraturas desta região quase todas são de tratamento cirúrgico, e nestes casos, quanto mais rápido se fizer a cirurgia melhor vai ser a sua melhora. Existem vários tipos de fratura dos ossos que compõem o quadril. O fêmur quando fraturado 99% das vezes deve ser operado, quanto ao acetábulo depende do local e desvio da região fraturada. Se a fratura do acetábulo for em região de carga (parte superior) e com desvio, deve-se operar todos estes casos. A fratura sendo fora da região de carga e com desvio menor do que 2 milímetros, pode-se optar por tratamento conservador (sem cirurgia), tomando-se cuidados importantes como o repouso, uso de andador ou muletas para se evitar a carga do lado fraturado, assim como o uso de analgésicos e antiinflamatórios ( deve-se ter muito cuidado com o uso crônico de analgésicos e antiinflamatórios, eles podem causar lesões no estômago, rins e fígado).

Desgaste
O desgaste do quadril é uma perda gradual da cartilagem articular (responsável pela mobilidade da articulação e absorção do impacto), em algum momento de nossas vidas ele vai acontecer, pois faz parte do envelhecimento natural da nossa espécie. Algumas situações podem fazer com este desgaste ocorra precocemente como fraturas, doenças metabólicas, grandes esforços repetidamente durante grande período de tempo.
Existem tratamentos desde diferentes modalidades de fisioterapia motora e analgésica (hidroterapia e acupuntura, por exemplo), passando por infiltração articular com corticóides ou viscosuplementadores, artroscopia do quadril (quando e’ necessário fazer uma raspagem dos ossos da cabeça do fêmur e/ou do acetábulo para melhorar a dor e a mobilidade, nos casos de pinçamento) e como opção final a prótese de quadril nos casos de desgaste maior. O critério de indicação para cada uma destas opções é o grau da lesão, a idade, mas principalmente a sua dor. Por isso, independente do grau da sua lesão, se você tem uma dor intolerável e incapacitante, você pode ser um(a) candidato(a) a uma prótese de quadril. Não se assuste com esta possibilidade, primeiro porque nenhum médico vai obrigar você a ser operado(a), esta e’ uma decisão sua, seus familiares e amigos podem ajudar mas é você quem decide; segundo, entre as cirurgias ortopédicas a prótese de quadril e de joelho são os procedimentos que os pacientes ficam mais satisfeitos com o resultado, pois acabam com a dor e muitas vezes melhoram a mobilidade. De qualquer maneira, na maioria dos casos de desgaste leve ou moderado, e’ possível indicar fisioterapia e a infiltração como tentativas paliativas, se você sentir uma melhora da sua dor tornando sua qualidade de vida melhor, ótimo, pode-se postergar a cirurgia até o momento em que os tratamentos anteriores não façam mais tanto efeito quanto gostaríamos.

Pós-operatório de prótese ou de fraturas de quadril
A dor no quadril após a artroplastia (prótese de quadril) deve ser observada com cuidado, pois a dor diminui muito quando a cirurgia é bem sucedida. Se a dor persistir após 3 semanas algo diferente pode ter ocorrido como fraturas durante o procedimento, infecção, mal posicionamento dos implantes, soltura dos implantes ou luxação da prótese (quando a cabeça do implante do fêmur desloca saindo do seu local de apoio no implante do acetábulo). Procure seu médico e peça uma explicação detalhada das possibilidades do motivo da dor. Caso você não tenha ficado satisfeito(a) procure uma segunda opinião com um especialista em quadril. Tudo deve ficar muito claro para você.
Um cuidado importante é a utilização de anticoagulantes para a profilaxia de trombose. Eles devem ser utilizados por pelo menos 30 dias, o mesmo para o pós-operatório das fraturas do quadril.
O pós-operatório de fraturas do quadril (fêmur proximal e/ou acetábulo) se comportam de forma variada, dependendo do local, complexidade da fratura e implante utilizado adequadamente. Não se deve apoiar o lado operado sem auxílio de andador ou muletas até que se tenha um sinal de consolidação seguro.

Infecção
A infecção no quadril deve ser uma preocupação constante dos médicos nos casos de muita dor, febre e limitação da mobilidade articular. Ela pode ocorrer após a cirurgia do quadril por fratura, artroscopia ou artroplastia (prótese). Mesmo se o paciente não tiver febre a infecção pode estar presente. O especialista em quadril deve solicitar exames de sangue como Hemograma Completo, Proteína C Reativa (PCR) e Velocidade de Hemossedimentação (VHS). Se estes exames vierem alterados, deve-se optar por tratamento com antibióticos potentes endovenosos e na grande maioria das vezes a retirada dos implantes colocados na cirurgia, sendo estes placas, parafusos, hastes e os diferentes tipos de próteses. A infecção no quadril pode vir associada à soltura dos implantes, quando isto acontece deve-se novamente optar pela retirada dos implantes.